Em uma das imagens divulgadas pelas agências internacionais, Muammar Kadafi aparece completamente ensanguentado entre homens do CNTFoto: AFP
As cinco enfermeiras búlgaras que ficaram presas por oito anos na Líbia em função do escândalo da infecção de crianças líbias com o vírus da aids comentaram a notícia da morte de Muammar Kadafi nesta quinta-feira, afirmando que "ele teve o que mereceu". "A notícia me deixou muito feliz. É uma punição. Um cachorro como ele merecia morrer como um cachorro", afirmou Valya Chervenyashka.
As enfermeiras foram torturadas e duas vezes sentenciadas à morte no regime de Kadafi. Valentina Siropolu, outra das enfermeiras libertadas em 2007, declarou: "Eu estou muito feliz, eu esperava por isso. Ele teve o que mereceu".
Snezhana Dimitrova e Kristiana Valcheva, contudo, tiveram uma reação diferente. "Eu ficaria feliz se ele tivesse sido capturado vivo", afirmou Valcheva. "Não posso ficar feliz com a morte de ninguém, mesmo de meu inimigo", acrescentou Dimitrova.
As cinco disseram ainda esperar que os novos líderes da Líbia as inocentem. "O principal objetivo do governo búlgaro deveria ser exigir que nossa inocência seja reconhecida", acrescentou Chervenyashka.
As cinco enfermeiras búlgaras, junto com um médico palestino, foram presos na Líbia, em 1999, sob acusação de infectar 438 crianças com o vírus HIV em um hospital pediátrico de Benghazi.
Especialistas, incluindo Luc Montagnier, o virologista codescobridor do HIV, testemunhou que a infecção se deu por causa de carência de higiene. O caso ganhou as manchetes mundiais e os envolvidos foram libertados e voltaram para Bulgária em 2007.
Insurreição líbia culmina com queda de Sirte e morte de Kadafi
Motivados pelos protestos que derrubaram os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadafi, no comando desde a revolução de 1969. Rapidamente, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas de leste a oeste.
A violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmica intervenção internacional, atualmente liderada pela Otan, em nome da proteção dos civis. No dia 20 de agosto, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque.
Dois meses depois, os rebeldes invadiram Beni Walid, um dos últimos bastiões de Kadafi. Em 20 de outubro, os rebeldes retomaram o controle de Sirte, cidade natal do coronel e foco derradeiro do antigo regime. Os apoiadores do CNT comemoravam a tomada da cidade quando os rebeldes anunciaram que, no confronto, Kadafi havia sido morto. Estima-se que mais de 20 mil pessoas tenham morrido desde o início da insurreição.
FONTE: http://noticias.terra.com.br
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