21 de out. de 2011

Dilma defende Orlando Silva e partido articula manter ministério Também foi adiado o depoimento que o policial João Dias prestaria ontem ao Ministério

Foto: Robson Mendes/ Arquivo CORREIO

Dilma critica imprensa em visita à Angola

Após uma semana enfrentando acusações de corrupção, o ministro do Esporte, Orlando Silva, ganhou um refresco presidencial no dia do anúncio da tabela da Copa do Mundo. A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem, antes de embarcar de volta para o Brasil de sua visita à África, que não se pode “demonizar” o PCdoB, partido do ministro.

“Fazer julgamento de partido é uma tolice. O meu governo respeita o Partido Comunista do Brasil, que tem quadros absolutamente importantes para o país”. Dilma disse que existe um “processo irracional” nas críticas ao partido. Sobre as acusações contra Silva, ela afirmou que não tem pressa e que vai preservar o governo e os interesses do país.

A presidente disse ainda que não se pode fazer “apedrejamento moral de ninguém”. Ela destacou que não vai permitir que façam julgamento precipitado e que é preciso “preservar a presunção da inocência”.

A presidente criticou a imprensa por noticiar vazamentos e opiniões do governo que, segundo ela, não correspondem com o que ela pensa. “Eu li com muita preocupação as notícias do Brasil. Primeiro pelo grau de imprecisão nas observações a respeito do governo. O governo não fez, não fará, nenhuma avaliação e julgamento precipitados de quem quer que seja. Eu acho que fontes, vazamentos... É interessante que vazam frases com aspas minhas e eu não falei com ninguém”.

A presidente falou à imprensa em Luanda, capital de Angola, última cidade que visitou durante sua viagem de cinco dias à África em meio às denúncias de desvio de verbas na pasta do Esporte. A chegada de Dilma estava prevista para ontem à noite, quando estava prevista uma reunião com os ministros da coordenação política. Ela deve ter um encontro com o ministro Orlando Silva e o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, mas data e horário não foram confirmados.

Apesar de ainda ministro do Esporte e responsável pela coordenação das ações do governo para a Copa do Mundo 2014, Orlando Silva não apareceu ontem para comentar o anúncio da tabela do Mundial e das sedes da Copa das Confederações. O ministro passou o dia gravando o programa político do PCdoB, que foi mudado para fazer a defesa do ministro. O presidente do partido e o próprio Silva falaram no programa sobre as acusações de cobrança de propina para a liberação de dinheiro de convênios do projeto Segundo Tempo com organizações não-governamentais. O ministro nega as denúncias e desafia acusadores a provar fraudes.

Derrubada
Animado pelas declarações de Dilma, o PCdoB articula para garantir o Ministério do Esporte. Renato Rabelo esteve no Planalto onde encontrou-se com o ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da presidência e disse que o governo apoia o ministro Orlando Silva “Temos que barrar esse processo de derrubada de ministros. O PCdoB vai defender o ministro como sempre”, disse Rabelo.

Gilberto Carvalho afirmou que uma eventual saída de Orlando Silva do ministério não mudará “um milímetro” a posição brasileira em relação à Copa do Mundo. “As posições tomadas pelo ministro na questão da Copa até hoje são posições do governo e não posições do ministro Orlando Silva. Ele agiu em perfeita harmonia, seguindo orientações dadas pela presidenta Dilma”, disse Carvalho. O governo e a Fifa vêm divergindo sobre pontos da Lei Geral da Copa, que definirá os marcos gerais da competição.

Policial vai depor na próxima semana
Foi adiado o depoimento que o policial João Dias prestaria ontem ao Ministério Público Federal. Segundo informações do advogado do policial, Michael Roriz Farias, João Dias deverá acrescentar novos detalhes às revelações que fez num depoimento de oito horas aos delegados Fernando Souza Oliveira e Jackson Rosales.

Ficou acertado também que o policial prestará depoimento à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara às 14h30 da próxima quarta-feira. O policial acusa o ministro do Esporte, Orlando Silva, de acobertar irregularidades em projetos de ONGs financiadas com recursos do programa Segundo Tempo. Duas ONGs do policial são acusadas de desviar R$ 3,2 milhões do programa. Ele nega as irregularidades.

Ontem, a Procuradoria da República em Campinas instaurou inquérito civil público para apurar supostos atos de improbidade administrativa durante a execução do convênio do programa Segundo Tempo, firmado entre o Ministério dos Esportes e a ONG Pra Frente Brasil, dirigida pela ex-jogadora de basquete Karina Valéria Rodrigues.

O convênio era destinado à implantação de 180 núcleos de Esporte Educacional em São Paulo, com objetivo de ofertar práticas esportivas educacionais a 18 mil crianças e adolescentes. Segundo o Ministério Público, apurações indicam que pode ter havido direcionamento de procedimentos licitatórios para beneficiar empresas cujos titulares manteriam estreitas ligações de parentesco ou de trabalho com diretores da ONG ou com a ex-jogadora de basquete.

FONTE: http://www.correio24horas.com.br/

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